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Oscar: a arte de comunicação dos filmes

O Oscar está chegando e, com ele, as análises espalhadas por esse mundo digital sobre filmes, direção e vestuário.

O Oscar está chegando e, com ele, os filmes mais exóticos que o cinema da sua pequena cidade não costuma passar.

O Oscar está chegando e, com ele, um monte de pessoas brancas que aparentam ser um recorte não muito fiel da nossa sociedade cheia de raças e etnias.

O Oscar está chegando e….

A maior premiação do cinema em língua inglesa está chegando, onde diversas personalidades importantes da cultura ocidental se reúnem para subir ao palco e agradecer a academia sem rosto por seu prêmio de ouro que, para o azar de alguns, não pode ser vendido.

Críticas a parte, todo ano sai a lista dos melhores filmes. Dos grandes talentos que nascem e dos que continuam a crescer todos os dias. Na premiação nós conseguimos ver, como telespectadores, quais as tendências do cinema, se o nosso ator favorito que emagreceu 20 kg para interpretar um personagem complexo (sim, eu torço pelo Coringa) vai ganhar o prêmio, ou se quem vai levar para casa é a outra pessoa que você nem se preocupou em pesquisar sobre.

Os filmes fazem parte da nossa sociedade a algum tempo. Representam recortes da nossa realidade e, quando muito importantes, transformam a própria realidade.

Ou você acha que já nasceu com essa idealização amorosa e romântica sobre relacionamentos? (Alô Bridget Jones? Você ta me devendo algumas sessões de terapia.)

O cinema é arte e tudo que ele produz está conectado a nós.

Independente se o filme é classificado como Cult ou Blockbuster, tudo aquilo que você assiste sejam filmes, séries ou novelas são representações fiéis, ou não, de um grupo de pessoas que pertencem a certos locais do globo (Star Wars entra?). Essas obras tem algo para falar ou mostrar e, como resultado, pode te divertir, ofender, assustar ou apaixonar.

Mexer com os sentimentos daqueles que simplesmente assistem, transformam essa arte em algo complexo e necessário e a premiação proveniente dessas produções é um resumo pra lá de importante daqueles que causaram mais durante aquele ano.

O Oscar tem mais de 90 anos e carrega em sua história discursos políticos, premiações justas e injustas e, principalmente, um reflexo de como a sociedade ocidental caminha e enxerga o mundo.

Dos documentários aos curtas animados, a visão de mundo é repassada para grupos e mais grupos de pessoas que terão a oportunidade para além da conversa, de enxergar como certa situação é vivida.

Não estou falando apenas dos grandes dramas que retratam características cotidianas da realidade de muitos (como “História de um casamento”), mas também de qualquer produção onde talvez você não seja o público, mas que pode te fazer olhar para o lado, para certa cultura ou situação e te fazer pensar.

No século XXI qualquer arte que nos faça pensar merece uma premiação tão glamurosa quanto “O Oscar”. De Meryl Streep, a queridinha da premiação, à Adam Sandler, que foi fortemente cotado para uma indicação, quais tipos de produção esses dois se envolvem?

Pensando a partir da minha experiência, o que seria de mim sem “A Escolha de Sofia” para entender a dor de uma mãe, ou sem “Click” para saber que a vida passa e eu não deveria desejar que fosse tão rápido assim? (reflexão essa que cheguei dando risada).

Da comédia pastelão ao terror de pular da cadeira, do drama que nos deixa mal durante uma semana ao filme complexo que até hoje você não entendeu. Independente do gênero, qualquer produção que passou e passará pelo Oscar, ou por premiações derivadas, tem uma função clara: a comunicação.

Os filmes se comunicam assim como nós. Somos seres sociais que adquirirem uma linguagem ao longo da vida e a utiliza durante seus dias independentemente se comunica algo que pode ser considerado útil ou não. Afinal, quem é que decide que as palavras que saem da sua boca são insignificantes ou dignas de ficarem gravadas?

Somos comunicadores. E o cinema tem como responsabilidade levar grandes mensagens a públicos enormes sobre situações distintas, e quando chega até você, é só você quem deve decidir se a mensagem te toca, faz rir ou assusta.

Cinema é arte, é comunicação, é técnica e é política.

O cinema é uma representação da nossa realidade, pois assim como você nasceu para se comunicar, fazendo isso de diversas formas, o cinema também encontra seus meios para fazer ser ouvido.

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