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“Se Deus é por nós quem será contra nós”

Antirracismo na realidade profissional

“Se Deus é por nós quem será contra nós?”

Cresci ouvindo essa citação bíblica da minha mãe e parentes próximos, entendia que ninguém era contra nós, que eu tinha liberdade para ir e vir e que nada de ruim iria me acontecer.

No entanto, conforme fui crescendo compreendi que existia uma sociedade, o estado e a polícia contra mim, ainda mais quando se nasce mulher e preta. Essa citação bíblica nunca esteve tão errada, quando se nasce preta como eu, existe alguém sim contra nós. 

Certamente você deve estar a par do que está acontecendo, caso não, vale lembrar que no Brasil a cada 23 minutos morre um negro. 

Semanas atrás, João Pedro, de apenas quatorze anos, foi brutalmente assassinado por um policial dentro de sua casa. (clique aqui para ler a notícia).

Recentemente, George Floyd, de quarenta e seis anos, também foi assassinado por um policial. (clique aqui para ler a notícia) Há diferenças entres idades e até entre locais do globo, certo? Mas ambos possuíam algo em comum: a cor da pele.

Racismo e o mundo dos negócios 

Se você quiser eu posso dar um passo para trás e parar de citar notícias espalhadas pelos jornais de todo mundo e falar da minha realidade, que não é favelada, nem estadunidense. Agora eu posso falar do meu cotidiano e do que costumamos falar nesta rede social: o mundo dos negócios.

Quando entrei no mundo das startups, me assustei! Rompi com uma bolha que já convivia a alguns anos e acabei embarcando em um mundo muito falado, mas pouco conhecido dentro da minha comunidade, já relatei isso a vocês em um post ao falar sobre o meu primeiro mês na Langue.

Venho de um mercado de trabalho bem tradicional, em que a grande maioria das pessoas eram mais velhas, agiam de um certo modo e acreditavam em uma certa ideologia. A regra era simples: se adapte! A falta de encaixe era sinônimo de exclusão.

Ao me inserir nesse mundo de startups fiquei muito feliz em saber que a maioria do público teria a minha idade, e quem sabe, se pareceriam mais comigo. No entanto, ao olhar ao lado não vejo pessoas com a mesma cor de pele que a minha, a falta de representatividade nesse ambiente foi um banho de água fria.

Mas era de se esperar certo? Errado!

A população negra é a maioria no nosso país e porque não estamos inseridos nesses ambientes? Porque ainda somos minorias nas universidades?

A resposta para isso é simples. Nós negros não estamos inseridos em todos os lugares, não por falta de experiência e sim por falta de oportunidade.

Hoje existem movimentos para incluir minorias em ambientes de trabalho, mas estes já estão em um lugar de privilégio, será que sua empresa já conversou sobre isso?

Se questione: quantos CEO’s negros você conhece?

Entenda que você possui privilégios 

Diante de todos esses acontecimentos, você entende que possui um privilégio diante da sociedade por conta da cor da sua pele? Se você se vê como um antirracista, se questione: estou de fato sendo um antirracista na prática?

Aliás você sabe o que é ser um antirracista?

Antirracismo, como próprio nome já diz, é não propagar o racismo, ou seja, ideologia contrária ao racismo, que se opõe a qualquer prática racista, de discriminação e de segregação racial.

Não podemos apenas promover palestras e postar em redes sociais sobre racismo, mas sim promover chances e oportunidades reais. Se pergunte: quantos negros ocupam um cargo alto na sua empresa? Ou melhor quantos funcionários negros tem na sua empresa?

Vamos trazer essa discussão para mais perto de nossa realidade. Durante esses temos de home office você já conversou sobre os desafios que o seu funcionário ou colega de trabalho está enfrentando nessa atual realidade?

Você sabe se os lares de seus funcionários e colegas de trabalho foram mudados diante a pandemia?

Desculpe-me, mas simplesmente estamos cansados.

Acredito que toda as manifestações que estão acontecendo comprovam isso. Estamos cansados mas nunca iremos desistir. 

Bia Ferreira já dizia: 

Nascem milhares dos nossos cada vez que um nosso cai.

Qual a reação que tudo isso pode levar para dentro do nosso cotidiano profissional? Quais mudanças que essas vozes que ecoam podem trazer como forma de aprendizado e integração de criar ou melhorar o racismo estrutural dentro das novas empresas?

Não ficaremos mais quietos.

Vidas negras importam!

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