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Transexuais e Travestis no mercado de trabalho

Quais são as dificuldades que transexuais sofrem ao ingressar no mercado de trabalho? Quais são os preconceitos e porque a falta de oportunidade para trans e travestis é tão gritante? 

É o que nosso convidado Adrian Martins irá abordar. Além disso, ele irá falar um pouco sobre a sua experiência como homem trans em sociedade.

“As vezes eu sinto
Como se o corpo fosse explodir.
do nada.

De tanto que
me queimam
esses olhares
incandescidos
de ódio
e
repulsa. “

Li esse poema do Piê Poeta recentemente que expressa muito bem o que corpos trans estão exposto a sentir e vivenciar.

Os desafios e obstáculos que acompanham o indivíduo que foge da norma imposta de gênero na nossa sociedade se iniciam bem antes do entendimento de sua identidade. 

Isso porque a maioria das pessoas trans apresentam traços de inadequação do gênero imposto desde o começo de sua desenvoltura expressiva.

Os ambientes educacionais como a escola, por sua vez, respondem a isso de forma negativa tornando o acesso educacional violento. Isso acaba resultando em um período não concluído na realidade desses indivíduos.

Segundo a pesquisa conduzida pelo defensor público João Paulo Carvalho Dias, presidente da Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

estima-se que o país concentre 82% de evasão escolar de travestis e transexuais

Leia aqui sobre essa matéria.

Além disso, uma estimativa levantada pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), com base em dados colhidos nas diversas regionais da entidade, aponta que 90% das pessoas trans recorrem a prostituição ao menos em algum momento da vida.

Por que pessoas trans não conseguem emprego?

Com uma taxa tão alta de evasão escolar devido a falta de preparo e inclusão dentro da sociedade, as oportunidades de trabalho para pessoas trans e travestis é quase inexistente.

Em vagas operacionais ou serviço subalternizados oferecidos, travestis e transexuais não correspondem as exigências mínimas do mercado uma vez que a qualificação mínima exigida é o estudo médio completo, o que não é uma realidade de 82% desta população.

Outro fator não menos importante a ser verificado é a exclusão normativa do mercado de trabalho.

Sempre bom ressaltar que nem todo homem trans é hormonizado e mastectomizado. Isso tende a gerar repulsa sob o ângulo social dificultando o ingresso no mercado de trabalho.

Normalmente, pessoas Trans que possuem “passabilidade” (características físicas similares a do indivíduo cisgenero) tem um pouco mais de chances de ingressar no mercado de trabalho, em muitos casos não revelando ser uma pessoa Trans.

Minha experiência como homem trans

Minha experiência como homem trans que não possui essa “passabilidade”, é ter minha identidade de gênero invalidada.

É sofrer a violência de deslegitimarem minha existência, me sentir coagido, de ter que afirmar minha identidade a todo momento.

Não ser respeitado.

O constrangimento é inevitável.

Para pessoas transexuais e negras, como eu, é necessário enfrentar uma dupla exclusão em espaços profissionais que mesmo com todas as conquistas de movimentos sociais, ainda são em suma maioria espaços segregacionistas.

Leia também o texto Se Deus é por nós quem será contra nós.

É preciso levar em consideração que todas as colocações feitas acima referem-se a tentativas de ingressão nos trabalhos subalternizados, onde as condições são normalmente exploradoras e de salários que não suprem demandas básicas.

Quando a questão é trabalhos com melhores estruturas e condições, lidamos com a exigência de formações acadêmicas o que está fora da realidade para uma população que ainda enfrenta evasão escolar.

A necessidade de políticas públicas que atendam a necessidade de um público tão vulnerável é urgente! Entretanto ainda não é visada e nem discutida como deveria ser feito.

Não é só uma luta por acesso, mas por acesso com respeito e dignidade.

Transfobia nenhuma vai nos silenciar.

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