ABOUT TO REACH

Langue

Práticas antirracistas: Comunicação Não Violenta

Devido aos atuais acontecimentos, se tornou cada vez mais necessário trazer práticas antirracistas e incitar debates não só na nossa vida pessoal, mas também no nosso ambiente de trabalho. Esse post irá abordar práticas para que você pode adotar na sua empresa.

No dia 25 de maio de 2020, em meio a uma pandemia mundial, George Floyd, um homem afro-americano, foi brutalmente assassinado por um policial. Semanas atrás, no mesmo mês, João Pedro, um jovem negro de apenas quatorze anos, estava dentro de sua casa e também foi assassinado pela polícia. 

Após esses episódios que se repetem diariamente no país e no mundo, brancos e negros foram às ruas manifestar suas indignações perante tais atrocidades. 

O movimento negro dos Estados Unidos virou notícia no mundo inteiro ao ir às ruas para cobrar justiça pela morte de George Floyd, inspirando outros países, inclusive o Brasil.

Além desses atos, muitas pessoas usaram suas redes sociais para protestarem e exigirem mudanças – um excelente começo, e quem sabe, um pontapé inicial para ações antirracistas na prática.

O racismo, como tudo na sociedade, é complexo e dividido. Então, para exercitar atitudes que afastam esse crime das suas ações, vamos entender como ele funciona.

Racismo estrutural

Antes de partirmos para dicas práticas de como você e sua empresa podem ser antirracistas, precisamos entender o que é racismo estrutural

O Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão em 1888, mesmo estando “livres”, milhares de negros não obtiveram suporte algum e não foram inseridos no mercado de trabalho, universidades e entre outros. 

Devido à essa herança histórica por causa da escravidão, nasceu o que chamamos de Racismo estrutural. Sejam atitudes diretas ou indiretamente, por meio de hábitos, situações, falas e costume, promovendo o preconceito e segregação racial.

Racismo estrutural é o termo usado para reforçar o fato de que existem sociedades estruturadas com base na discriminação racial, que diferencia brancos e negros. No Brasil, e até mesmo em outros países, essa distinção favorece o primeiro grupo e desfavorece o segundo.

Não dá para saber quando o racismo nasceu, mas por meio da colonização os europeus se consideravam mais inteligentes e mais capazes de prosperar, enquanto os negros e os indígenas eram considerados animais. 

No fim, quando finalmente estavam livres, não houveram leis para fazer com que os negros fizessem parte da sociedade como um todo. Recém libertos, os negros foram morar em um lugar, em que ninguém queria morar, como os morros, o que chamamos de favela. 

Esse tipo de racismo se traduz em um conjunto de práticas, hábitos, situações e falas embutidas em nossos costumes e que promovem, direta ou indiretamente, a segregação ou o preconceito racial, excluindo um grupo de pessoas de atividades sociais e democráticas.

Por isso, quando falamos de racismo, estamos falando de um sistema de opressão estrutural, que continua acontecendo nos dias de hoje.  

Já dizia a escritora e ativista norte-americana Angela Davis:

Não basta não ser racista, é necessário levantar a bandeira do antirracismo.

 

Como ser antirracista na prática

É muito importante ver pessoas brancas manifestando suas indignações perante as vidas negras que são interrompidas, sejam elas movidas por movimentos externos ou por injustiças cotidianas, que existem e muitas vezes são apagadas.

Apesar de postagens e textos em redes sociais serem atitudes nobres e relevantes, é necessário que essas mesmas pessoas sejam antirracistas na prática.

Um exemplo disso é quando ocorreram as manifestações nos Estados Unidos pedindo justiça pela morte de George Floyd. Brancos, ao manifestarem, se colocaram em frente aos negros para sua proteção contra policiais, por saberem que, normalmente, não sofrem retaliações como as pessoas negras.

Além disso, diversos artistas americanos brancos pagaram advogados para pessoas negras que foram presas nas manifestações. O grupo coreano BTS – proveniente de um país conservador e racista –  doaram um milhão de dólares para a causa Black Lives Matter.

Se você não tem dinheiro ou não tem como ir nas manifestações, olhar para o seu colega do lado e perceber durante o dia como pessoas de diferentes tons de pele são tratadas e como você pode mudar isso através de indignação ou questionamentos, já é uma ação antirracista. 

Uma forma de ser antirracista na prática é observar no seu convívio social, com seus colegas fora e dentro do ambiente de trabalho, corrigindo-os caso essas pessoas tiverem atitudes, falas, hábitos racistas. 

Comunicação Não Violenta como ação antirracista

A Comunicação Não Violenta é uma ação da linguagem para se relacionar de maneira mais assertiva. Isso significa que podemos iniciar ou manter conversas alterando nossas intenções iniciais para criarmos conexão com o outro, mantendo o respeito e o interesse do ouvinte durante a conversa.

O racismo está ligado ao ataque e a agressão, tanto física quanto moral, ou seja, ao desligar o modo passivo-agressivo e escutar o outro, você conseguirá passar a sua mensagem de maneira eficiente e prática. E melhor, sem ofender ou cometer crime algum.

A necessidade de ser ouvido e de constituir conhecimento através do conhecimento do outro, não só integra a comunicação não violenta mas também o ato de ser social. Mas o que isso significa?

Cada um tem uma experiência própria, sendo racista ou não, e existem regras que moldam nossa sociedade. Regras essas que afirmam que racismo é uma atitude comum, mas também é uma atitude errada.

Na hora de se expressar, se pergunte: sua fala está mais ligada a uma fala comum ou a uma fala correta? Acredite, existe uma enorme diferença entre as duas.

O primeiro passo

Ouvir é o primeiro passo para a não violência, e um salto gigantesco para uma ação antirracista. Sua experiência individual não te dá direito de falar o que quer porque tal fala foi aprovada por alguém também negro.

Você já deve ter escutado o seguinte: “Mas eu posso falar, meu amigo é negro e não se importa”.

Bom, quando falamos em comunicação não violenta, levar em consideração apenas a sua experiência pessoal não tornará sua fala ética ou criará conexão com o outro.

Suas conexões até aqui foram provenientes das suas atitudes, correto? Quais delas, dentro do seu discurso, devem e serão mantidas?

É justamente a necessidade que é comum a todos nós que nos conecta. Isso significa que o julgamento, a atitude ou reclamação de alguém não deve ser desprezado, pois muitas das vezes o discurso proferido pode ser racista e ao ser corrigido pode melhorar sua forma de dizer as mesmas coisas sem a carga emocional gravíssima de uma fala racista cotidiana.

A comunicação não violenta fala sobre conexão com pessoas e ações de um movimento crescente contra o racismo também.

Você, como falante de uma língua, pode sim se comunicar com qualquer pessoa por meio de um preceito simples: a escuta.

Escutar o porquê tal fala é racista ou porque seu colega negro pode falar das atitudes racistas que acontece com ele, te darão base para ser tanto um profissional eficiente quanto uma pessoa minimamente eficaz na sociedade, sendo uma pessoa que irá produzir cada vez mais o racismo. 

Racismo no mercado de trabalho

Mais de 56,10% de pessoas brasileiras se declaram negros no Brasil.

Mesmo sendo a maioria, esse número ainda não é refletido nas práticas sociais, já que os negros ainda não são maioria em universidades e no mercado de trabalho. 

A proporção de negros entre as pessoas desocupadas e subocupadas, é muito maior. Em 2019, eles correspondiam a cerca de dois terços das pessoas que não tinham emprego.

Segundo dados do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil do IBGE

64,2% das pessoas negras alegam que trabalham menos horas do que gostariam ou poderiam.

 

Além disso, uma pesquisa do Instituto Ethos mostrou que os negros ocupam apenas 4,9% das cadeiras nos Conselhos de Administração de 500. E nos quadros executivos, eles são 4,7%. Na gerência, apenas 6,3% dos trabalhadores são negros. 

Agora que entendemos um pouco melhor sobre racismo estrutural e como os negros ainda não estão inseridos no mercado de trabalho, mesmo sendo a maioria no Brasil, listamos algumas dicas para você e sua empresa serem antirracistas na prática. 

1 - Busque informações sobre o racismo

Se você compreende que está em uma posição de privilégio, busque se informar sobre questões raciais com pessoas negras. Assim, você entenderá um pouco melhor como é para um negro conviver com o racismo enraizado em nossa sociedade. 

Procure estudar sobre questões raciais, a internet está recheada de conteúdos acessíveis e relevantes sobre o tema. E não se esqueça: a ação de se informar deve ser somente sua.

E se você que está lendo for gestor ou responsável por algum grupo ou setor, pense: 

“Quais atitudes e maneiras de dizer podem afastar um pensamento ou atitudes racistas do meu grupo de trabalho?”

2 - Reconheça os privilégios da Branquitude

Não foque sobre o racismo voltando somente para o indivíduo negro, pois o racismo é uma problemática branca, ou seja, o racismo não partiu de pessoa negra e sim de uma pessoa branca. 

Compreendendo que o racismo parte de pessoas brancas, comece no seu convívio social, entre seus amigos brancos a questioná-lo e corrigi-los diante de algo racial que eles podem produzir.  

Reconheça os privilégios que você possui na sociedade, seja no ambiente de trabalho, nas universidades, nos meios midiáticos e entre outros. 

Estando em uma posição de privilégios, promova palestras sobre temas raciais para seus colaboradores, convide ativistas negros para falar desses assuntos, realize cursos e  reuniões com seu time.

3 - Perceba o racismo internalizado dentro de si

Preste atenção no linguajar e nas expressões que você usa, pois muitas vezes a linguagem deixa transparecer expressões racistas, sendo que a língua está cheia de valores sociais. Dizeres como:

  • A coisa tá preta;
  • Mulata; 
  • Denegrir; 
  • Cor do pecado; 
  • Não sou tuas negas;
  • Ovelha negra; 

E existem diversas outros tipos de falácias que ainda são produzidos em nossas sociedade, sejam elas também com atitudes ao ver um homem negro e mudar de calçada ou esconder a bolsa, por achar que aquele negro irá te roubar.  

O racismo é estrutural, então quando um negro pontuar algo racista que você falou, repense e pare de produzir. 

4 - Transforme o seu ambiente de trabalho

Se questione sobre quantas pessoas negras existem dentro do seu ambiente de trabalho, não é antirracista ter apenas um negro na sua empresa apenas para passar uma imagem de não racista. 

A diversidade que existe na sua empresa não é apenas para cumprir cota, é fazer de fato com que pessoas negras estejam inseridas nesse meio.

5 - Leia e estude conteúdos de pessoas negras

Ao estudar e acompanhar conteúdos de pessoas negras você entenderá um pouco o outro mundo e também pensará de forma diferente.

A população negra é a maioria em nosso país, por isso devem ser lidos, debatidos e citados. Os negros têm capacidade para pensar sobre o mundo, de elaborar ideias e de fazer pesquisas. 

Pessoas negras também produzem, por isso comecem a consumir mais conteúdos de pessoas negras.  

Pessoas negras que você pode acompanhar e aprender mais sobre questões raciais: 

  • Djamila Ribeiro: Filósofa, feminista negra, escritora e acadêmica brasileira;
  • Nathália Rodrigues: Nath Finanças ensina educação financeira de uma maneira fácil e prática para quem nunca estudou ou não entende do assunto.
  • Nátaly Neri: É youtuber e ativista, fala sobre moda consciente, empoderamento e estética negra.
  • Gabi Oliveira: Gabi de pretas é uma youtuber ativistas, em que produz conteúdo acerca da autoestima da mulher negra, racismo e lutas. 
  • Nani Nunes: Ativista, palestrante de pautas sobre a África, negritudes e sobre Linguística;
  • Thelma Assis: Médica e ativista. 

Em suma, podemos observar que a luta contra o racismo vem acontecendo de forma lenta, pois ainda os negros morrem por conta da cor da pele e ainda são minorias no mercado de trabalho e nas universidades.

Entretanto, as ações antirracistas só acontecerão quando os indivíduos praticarem e entenderem que precisam fazer algo.

Empresa é feita de pessoas e pessoas são feitas de ações individuais, espero que a sua consiga praticar ações antirracistas a partir dessas dicas que trouxemos durante o texto.

Se gostou do nosso conteúdo e quer ficar por dentro dos nossos textos, nos acompanhe nas redes sociais e leiam nossos textos

Leave Your Comment